José Daniel

José Daniel Telles dos Santos nasceu em 1983 no distrito do Taim, interior da cidade de Rio Grande (RS), região dos campos neutrais, extremo sul do Brasil. Fronteiriço por natureza, tem em sua ascendência familiar a mestiçagem guarani, castelhana e portuguesa. Filho dos agricultores José e Tânia, foi criado a luz de lampião e água de cacimba, e aprendeu na lavoura seu primeiro ofício, o de plantador de cebola.

Quando completou 15 anos, seus pais abandonaram as incertezas da vida no campo para que seu filho pudesse prosseguir os estudos, inicialmente na área da programação de computadores, tendo se formado Técnico em Informática e Programação pelo Colégio Técnico Industrial da FURG. Porém, em suas inquietudes, sentia que seu caminho era outro e insistiu com seu pai para lhe comprar seu primeiro violão. Assim, seu contato com a música começara somente aos 17 anos, de maneira intuitiva e informal, aprendendo com amigos e artista de rua. Posteriormente, ingressou na Escola de Belas Artes Heitor de Lemos, onde ganhou uma bolsa de estudos para cursar Teoria Musical, História da Música e Violão Clássico por 4 anos. Seu primeiro professor de violão foi Luciano Nazário, que o incentivou desde o começo a seguir a carreira profissional como músico. Aos 20 anos, José Daniel decidiu abandonar a “promissora carreira” tecnológica e trocou os algoritmos pelas partituras, passando a se dedicar exclusivamente à música. Em 2004, ingressou no Bacharelado em Violão da Universidade Federal de Pelotas, onde foi orientado ao instrumento pelos professores Ivanov Basso, Rogério Constante, Luciano Nazário e Thiago Colombo. No mesmo período, dava aulas particulares de violão em Rio Grande para poder sobreviver e custear as despesas com sua formação.

Assim, em 2007 reuniu diversos colegas músicos para fundar o “Espaço Musical JD”, uma academia de música que durante 10 anos promoveu cursos livres de música e eventos artístico-culturais para a comunidade, tais como a série “Violões do Sul”. Em 2011, ingressou no Mestrado em Memória Social e Patrimônio Cultural da Universidade Federal de Pelotas, onde realizou a primeira pesquisa acadêmica sobre a vida e a obra do consagrado músico argentino Lucio Yanel (1946) com orientação da professora Isabel Nogueira.

Como ativista cultural, organizou e realizou mais de 50 eventos de difusão e formação artístico cultural na metade sul, com destaque para o “I Festival Internacional de Violão do Mercosul – Homenagem a Lucio Yanel” no Teatro Municipal de Rio Grande e o “I Seminário Internacional de Violão do Pampa” no Theatro Santo Antônio em Bagé, todos com acesso gratuito, livre e democrático para a comunidade.

Como educador, tem colaborado em diversos espaços de formação (Escola de Belas Artes, Colégio Salesianos Leão XIII, FURG, UFPel e Unipampa), em projetos como o “Música na Escola RS” da UFRGS e como voluntário no “Projeto Rondon” no norte do Brasil.

Em seu ofício de músico, tem atuado a solo e em parceria com cantoras(es) e instrumentistas em formações e espaços diversos. Buscando divulgar a música brasileira e latino-americana, formou o “Latino-América Duo” (www.latinoamericaduo.com.br) em parceria com o violonista Alexandre Simon (Santa Maria). Com este trabalho artístico, realizou o “Música sem Fronteiras”, uma série de concertos didáticos premiada pela Funarte em 2014 por levar a música instrumental para alunos de 12 escolas públicas da região da fronteira do Brasil com o Uruguai.

Em 2017, o duo lançou seu primeiro CD físico pelo selo Organic Recording, intitulado “Latino-América Duo”. Assinado pelo produtor fonográfico Bruno Pires, o álbum tem capa e livreto com a arte do ilustrador Alisson Affonso. Conta ainda com a participação generosa dos distintos músicos Lúcio Yanel, Thiago Colombo, João Alexandre Gomes e Jucá de Leon. Em 2019, este trabalho foi indicado ao Prêmio Açorianos em Música na categoria melhor intérprete de música instrumental. Não ganhou o prêmio, mas valeu a indicação!

Com este álbum, em 2017 o duo realizou dezenas de concertos pelo Brasil (Rio Grande, Pelotas, Bagé, Santa Maria, Santana do Livramento, Caçapava do Sul, Pedro Osório, Porto Alegre, São Paulo e Rio de Janeiro) e na bacia do Prata (Buenos Aires e Montevidéu). Para celebrar seus 10 anos de caminhada, em 2019 realizou nova série de concertos em Portugal, incluindo a Casa da América Latina em Lisboa, e na Alemanha, onde representou o Brasil na “X Semana de Cultura Latino-americana de Frankfurt”, a convite do Instituto Goethe.

Atualmente, integra o Programa Doutoral em Música da Universidade de Aveiro em Portugal, onde desenvolve pesquisa relacionada à processos criativos para violão com orientação dos professores Jorge Salgado e Gilvano Dalagna. Recentemente, apresentou seus estudos no “V Encuentro Internacional de Docentes de Música” (Universidad de Cuenca, Espanha) e no “The 21st Century Guitar” (Universidade Nova de Lisboa, Portugal). É casado com a professora Tatiana com quem compartilha os dias e a utopia de lutar por um mundo melhor através da arte e da educação. Para suportar as saudades do pago, todos os dias ceva um mate e segue sua sina de aprendiz, na eterna busca por apreender um pouco mais sobre os caminhos da vida e da arte nas cordas do violão.